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Entrevista no Jornal Nacional

06/08/2014 21h21 – Atualizado em 06/08/2014 21h33

Terceira maior preocupação dos brasileiros é ficar sem trabalho

Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha, ficar sem trabalho é a terceira maior preocupação dos brasileiros.

Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha, ficar sem trabalho é a terceira maior preocupação dos brasileiros. E isso apesar de as taxas de desemprego estarem num nível historicamente baixo, no país.
No Nordeste, está o maior número de brasileiros que temem o desemprego, 16%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste são 14%. No Sudeste, 11% e no Sul, está o menor número, 8%. Vagas existem. Achar, você acha.
“Tem em todo lugar. Você vê, no jornal, contratando 70, 100 pedreiros. Mas, infelizmente, o salário não atende ao que você quer”, lamenta o pedreiro João Couto Jr.
O número de vagas com carteira assinada quase dobrou em dez anos. Mais gente teve oportunidade de trabalho com direitos garantidos.
“Quando as pessoas dizem que têm medo do desemprego, elas querem dizer não só de ficar sem trabalho, mas de ficar sem o trabalho com carteira”, explica o economista da USP Helio Zylberstein.
A concorrência é grande. Mas fila de dobrar quarteirão não é mais para emprego, é para contracheque bom.
“Rapaz, não é tão difícil encontrar vaga, é difícil encontrar pessoas que queiram pagar honestamente”, afirma o pedreiro Genivaldo da Conceição.
E dentre todos os trabalhadores, são os jovens os que mais se preocupam com a qualidade do emprego.
“Existem ofertas de emprego, mas a carência é muito grande de um pessoal capacitado para isso. E o jovem é o principal afetado porque ele vem de uma situação de que ele não tem experiência”, conta a coordenadora de treinamento e seleção Edialeda Bergmann.
Onde há chance de contração, os salários não são nenhuma maravilha.
“Os empregos têm crescido mais nos setores que oferecem empregos não tão bons, vagas não tão boas: o pequeno comércio, o setor de serviços”, diz Hélio Zylberstein.
Em 2002, 21,8% dos trabalhadores ganhavam mais de cinco salários mínimos. Dez anos depois, em 2012, apenas 12,8% ganhavam mais de cinco salários mínimos. Essa queda pode ser explicada em parte pela valorização do salário mínimo no mesmo período, mais de 200%.
“A saída é se capacitar. O jovem tem de entender que ele precisa se preparar para competir nesse mercado”, defende o economista Hélio Zylberstein.
Nicholas já entendeu muito bem.
“A gente está tentando ser profissionais de excelência. O mercado de trabalho não quer mais um. Ele quer excelência”, conta o estudante Nicholas Vieira de Castro.
Assim que terminou o Ensino Médio, numa escola pública da periferia de Brasília, descobriu um curso gratuito de auxiliar administrativo. Batalhou uma bolsa e já está fazendo as malas para estudar inglês nos Estados Unidos.
“Eu não sonho assim com algo grande. Eu sonho com algo que faça diferença”, afirma Nicholas.
Jean também vem de família pobre. Mas sempre achou que havia uma saída contra o desemprego.
“Eu sempre tive o pensamento de ser diferente. Por exemplo: na minha família, acho que não tem ninguém que tenha chegado à 5ª série, por exemplo”, diz a auxiliar de Recursos Humanos Jean Barbosa de Freitas.
Ele, ao contrário, chegou à faculdade. Entrou numa grande empresa de Brasília como jovem aprendiz, programa criado em 2000 e regulamentado em 2005, e acha que foi contratado por causa de uma ideia fixa.
“Fazer as coisas bem feitas, com rapidez, com qualidade e sempre tentar ser uma referência onde eu estiver. É assim que eu penso”, conta Jean.
Existe uma parcela da juventude brasileira que os especialistas chamam de geração “Nem Nem”: jovens que nem estudam, nem trabalham. Acontece que isso nem sempre é uma escolha, ou resultado de desinteresse, ou falta de compromisso. Às vezes uma realidade muito dura ajuda a explicar essa situação.
Num dos becos do Morro dos Alagoanos, no centro de Vitória, um rapaz passa seus dias num cômodo escuro.
“Não tem televisão, não tem nada, só essa geladeira mesmo, minha cama normal. Eu fico deitado, nessa minha cama, ouvindo uma musiquinha num rádio pequeno”, diz o desempregado Warlley Sacramento Pires.
E nem tem tanto tempo que ele fazia um bico aqui outro ali.
“Como eu sou um rapaz novo, né? E como a gente é de família pobre, eu tive que procurar meter a cara no trabalho e esquecer um pouco da escola”, explica.
Mas agora, sem estudo – e com uma carteira vazia que ninguém quer assinar – Warlley vive a tragédia de jogar a toalha aos 19 anos.
“Me deixou triste, me abateu tanto que eu perdi essa mente, o baixo astral, no caso, realmente desceu”, afirma Warlley.
Em Salvador, um remédio contra a desesperança. Quem vê Cláudia dando aula de depilação, não imagina o que ela viveu na época do desemprego.
“Aquele princípio de depressão. Aquela coisa: pra onde eu vou? Então eu fiz um pouquinho de tudo, trabalhei com artesanato, com alimentação”, diz a depiladora Cláudia Pereira.
Aos 40 anos voltou a estudar. Se capacitou, virou professora de curso técnico. E não parou mais.
“Minha vida mudou tanto que eu voltei para a faculdade”, conta Cláudia.
Daiane já tinha faculdade. Estava empregada. Mas, por opção, resolveu parar.
“Primeiro eu almejava trabalhar pra mim, não queria mais trabalhar com carteira assinada. E segundo porque eu tinha a meta pessoal de ter um filho”, afirma a administradora Daiane do Nascimento Silva.
Emily é o orgulho de Daiane e do marido. Mas, para voltar ao mercado, não há outro jeito. Daiane tem de se atualizar.
Jornal Nacional: Ele segura as pontas enquanto você vem fazer o curso?
Daiane: Sim, no dia do curso ele chega mais cedo do trabalho, que ele também trabalha com ele, e aí ele fica com ela.
De que outra forma se pode competir?
“Você inicia com um curso que você começa de capacitação e sempre você tem que estar se atualizando, porque a área de beleza, se duvidar, está lançando mais produtos do que até a área médica”, explica a empresária Carolina Ribeiro.
O sonho de Yasmim é ser a rainha dos salões de beleza. Alcançar a fama cortando cabelo.
“Eu falava pra minha mãe direto, que ela vai me ver ainda, e já está aqui, vai me ver ainda dando entrevista!”, diz a estudante Yasmin França.
O caminho? Turbinar o currículo para fazer a diferença.
“Aonde você chega existe um milhão de pessoas. Mas se você fizer diferente desse um milhão de pessoas você vai conseguir e vai alcançar o sucesso, que é o que eu quero”, afirma Yasmin.
A série de reportagens que o Jornal Nacional tem apresentado com base nessa pesquisa do Datafolha sobre as maiores preocupações dos brasileiros pode ajudar os eleitores a analisar as propostas dos candidatos a governador e a presidente.  A propaganda eleitoral começa no dia 19.

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